A humanidade vive em dias de cultivo do ódio e coleta de medo. Se olharmos com um pouco mais de precisão, verificaremos o grande desordenamento da vida. A ganância pelo ter supera os apelos de amor e faz de tudo, inclusive da pessoa humana, uma fonte de lucro. Neste contexto, o medo sinaliza para os caminhos da incerteza, da imprevisibilidade e da decepção.
É justamente nesta realidade que o natal manifesta o desejo de Deus de se encarnar mais uma vez entre nós. Jesus Cristo, Senhor e autor da vida e da salvação da humanidade, é a materialização do cumprimento da promessa de Deus para nós; o Pai, que por amor envia-nos o Seu Filho único para fazer a experiência de ser humano, tudo isto com o impressionante objetivo de dar sentido à vida humana e de salvá-la como uma mãe que salva os filhos, mesmo que tenha de dar a sua própria vida para isto.
Nos colocamos numa situação cada vez mais decisiva: ou celebramos o natal do mercado e continuamos na lógica do ódio que gera o medo. Em uma buscamos uma prática libertadora, na qual vivenciaremos o Natal verdadeiro com sua mística e espiritualidade próprias, cultivando as necessárias possibilidades que venham contribuir para a efetivação do amor e o conseguinte alcance da realização plena da nossa esperança.
Estamos diante do Deus Conosco. É o Emanuel, o Deus que por amor veio conosco ficar. O Senhor está a fazer e refazer um convite: Eis que estou à porta e bato, aquele que abri-la, Eu cearei com ele e ele Comigo. Os homens e mulheres de boa vontade são interpelados a aceitar o Cristo como Senhor de suas vidas e fazer do natal uma oportunidade fabulosa de ser feliz com Aquele que, nos amando, supera todo ódio, e nos possibilitando uma vida nova, repleta de dignidade, rompe com o medo e concretiza a esperança.
Nossa esperança está no Senhor que fez o céu e a terra. A nossa esperança é a continuidade da esperança dos nossos pais na fé; no Messias, o Pão da vida e partilhado, a experiência do amor emblemático em uma cruz tem seu primeiro sinal numa manjedoura cheia de adversidades. A história do Cristo se repete em uma sociedade profundamente injusta, excludente e negadora do Projeto do Pai.
O que fazer para o Cristo renascer entre nós? Que tal ser um Cristo para o mundo? Que bom se os cristãos com suas palavras e atitudes revelassem com mais verdade e objetividade a presença do Cristo de Belém entre nós. É extremamente necessário sairmos de um cristianismo mascarado dos atos sociais, dos adesivos nos automóveis, das camisas que nos reveste como sepulcros caiados, escondendo muitas vezes nosso pecado, descomprometimento e enaltecendo nossa hipocrisia.
O compromisso de Deus com a humanidade foi cumprido em Cristo Jesus, falta a humanidade fazer sua parte nesta história, sair das meras comemorações e mergulhar numa prática reveladora de que o Cristo é presença viva entre nós. Que possamos ir às celebrações neste advento e neste natal, mas, impulsionados por elas precisamos ser sinais de Jesus para que o mundo reconheça que Ele é o Senhor das nossas vidas.
Chega de ódio que leva ao medo, retirando-nos da graça do amor e da realização da esperança. O Cristo não veio habitar entre nós por um acaso. A providência divina em Sua suprema sabedoria deseja nos conduzir à prática do amor, retratada nos gestos que nos alimenta a esperança. Tua casa, teu namoro, teu noivado, teu casamento, teus filhos, teus patrões e teus empregados precisam perceber que Jesus está entre nós através de você. Se assim não for, pra que o natal? Perde o sentido, o uso de tantas lâmpadas, se Jesus não for visto como a luz das nossas vidas. Para que tantos enfeites, tanta decoração, se muitas vezes não conseguimos com nossos pequenos gestos revelar a presença de Jesus? Se assim for, só vai restar o papai Noel, com seus apelos mercadológicos, viabilizando a futilidade e nos levando ao vazio de um povo que esqueceu quem é o seu Deus.
Portanto, que este advento nos faça melhores para estarmos preparados para um natal puro, santo e verdadeiro. E, assim, sintamo-nos de fato amados e tenhamos nossa esperança realizada no Cristo, o Senhor, o Deus Menino Salvador. Feliz Natal, ótimo e verdadeiro natal todos os dias do ano que se aproxima.
Edgley Delgado
Caro amigo, quanta saudade de vc!
Como vai?
Estive na PB em dezembro, mas não te achei. Fiquei inconformada com isso, não pode ser!!! entende? O mundo moderno apela incesantemente pela comunicação e para nos relacionarmos cada vez com mais facilidade.
Nós nos conhecemos, não podemos nos perder só devido a distância geográfica, não achas?
Aguardo notícias suas.
Feliz 2012!